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Cesta Nutricional Familiar sobe 4,86% no RS

Levantamento feito pela PUC com dados das notas eletrônicas mostra que alta foi puxada por hortaliças, legumes e tubérculos

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ARTE GRÁFICA CONTENDO O LOGOTIPO DO PROGRAMA DEVOLVE ICMS
- - Foto: Ascom Sefaz/Receita Estadual
Por Ascom Sefaz/Receita Estadual

O custo da Cesta Nutricional Familiar para uma família de dois adultos e uma criança de 4 a 10 anos subiu 4,86% no Rio Grande do Sul em setembro, passando de R$ 1.389,58 para R$ 1.457,10. O resultado interrompe uma sequência de três meses de queda e faz o valor da cesta voltar a superar o patamar registrado em maio, quando havia atingido R$ 1.453,77. O levantamento é realizado pela PUCRS em parceria com a Receita Estadual do Rio Grande do Sul e dados das notas eletrônicas.

Com a alta, a cesta passou a representar aproximadamente 89,9% do salário-mínimo nacional, ante 85,7% em agosto. O avanço de 4,2 pontos percentuais interrompe também a sequência de três recuos no indicador e supera o pico registrado em maio, de 89,7%. Apesar disso, o percentual ainda permanece abaixo dos níveis observados entre 2022 e 2024, quando a cesta chegou a ultrapassar o valor do salário-mínimo.

Na comparação com setembro de 2025, a cesta está 6,17% mais cara. Já a variação acumulada no ano voltou ao campo positivo, chegando a 3,36%, depois de registrar -1,42% em agosto. O relatório ressalta, porém, que ainda é cedo para caracterizar o resultado como o início de um novo período prolongado de alta, e aponta a necessidade de acompanhar os próximos meses.

 

Preço da batata sobe mais de 50% e responde por mais da metade da alta da cesta

A alta de setembro foi concentrada principalmente em hortaliças, legumes e tubérculos. A batata-inglesa teve aumento de 52,84%, passando a R$ 6,50, enquanto o brócolis subiu 75,19%, o tomate 57,37%, o chuchu 36,72% e a cebola 16,66%. Esses produtos vinham, em grande parte, de quedas expressivas nos meses anteriores.

Entre os alimentos que ficaram mais baratos, o destaque foi o mamão, com queda de 10,79%, seguido por vagem (-2,22%), macarrão com ovos (-2,01%), lentilha (-1,52%), leite integral (-1,41%), queijo mozarela (-1,11%), pão integral (-0,96%) e ovo de galinha (-0,54%). Apesar da pequena redução no mês, o ovo acumula queda de 15% desde junho.

A batata-inglesa foi, isoladamente, o produto que mais contribuiu para o aumento da cesta, respondendo por 2,64 pontos percentuais dos 4,86 pontos percentuais de alta. Na sequência aparecem brócolis (+1,63 p.p.), tomate (+0,63 p.p.) e chuchu (+0,25 p.p.). Apenas batata e brócolis explicam cerca de 88% da variação líquida registrada em setembro.

O movimento observado na Cesta Nutricional Familiar acompanha, em parte, a pressão registrada nos preços dos alimentos no país. Segundo o IBGE, o IPCA-15 avançou 0,70% em setembro, após queda de 0,40% em agosto. Em Porto Alegre, o índice subiu 0,75% no mês.

 

Planejamento ajuda a manter qualidade alimentar mesmo com preços em alta

Diante da concentração dos aumentos em hortaliças, legumes e tubérculos, o relatório deste mês destaca a importância de combinar variedade alimentar e comportamento dos preços no planejamento das refeições. A recomendação é evitar concentrar a alimentação apenas nos produtos que ficaram mais baratos e, quando possível, fazer substituições dentro do mesmo grupo de alimentos.

A análise apresenta como exemplo o planejamento de uma alimentação ovolactovegetariana, baseada principalmente em alimentos presentes na própria cesta. A proposta combina cereais, como arroz, com leguminosas, como feijão e lentilha, além de hortaliças, frutas, ovos e laticínios. Uma das estratégias sugeridas é utilizar os mesmos ingredientes em diferentes preparações ao longo da semana, reduzindo a necessidade de compras variadas e favorecendo o aproveitamento dos alimentos.

Nesse cenário, o relatório aponta que alimentos nutricionalmente importantes podem ser substituídos temporariamente por outros do mesmo grupo quando apresentam aumentos muito expressivos. O brócolis, por exemplo, continua sendo uma opção nutricionalmente interessante, mas a alta de 75,19% em setembro faz com que repolho, cenoura, moranga e beterraba possam ser alternativas para manter a variedade do prato sem acompanhar integralmente a elevação de preços.

 

O que é a Cesta Nutricional Familiar

A Cesta Nutricional Familiar oferece estimativas sobre o custo e a composição nutricional da alimentação de diferentes perfis populacionais e busca subsidiar políticas públicas, ações de educação alimentar e nutricional e o planejamento de compras das famílias. O projeto é resultado de uma parceria entre a Receita Estadual do Rio Grande do Sul, o Laboratório de Desigualdades, Pobreza e Mercado de Trabalho da PUCRS (PUCRS Data Social) e o Grupo de Pesquisa em Comportamento Alimentar da PUCRS (GPCA/PUCRS).

Os preços são monitorados a partir das notas fiscais eletrônicas ao consumidor (NFC-e), abrangendo o mercado formalizado. Para o cálculo apresentado no relatório, é considerada uma família composta por dois adultos com alimentação regular, não vegetariana, e uma criança de 4 a 10 anos.

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